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Summit Imobiliário 2017: maior rigor com ética após Lava Jato

Por 11 de abril de 2017 Nenhum Comentário

Operação deflagrada há três anos levou a construção civil a aperfeiçoar práticas de governança corporativa para evitar irregularidades

A sacudida no mundo corporativo provocada pela Operação Lava Jato, deflagrada há três anos pela Polícia Federal, foi um catalisador para o crescimento do interesse de empresários da construção civil pelo aperfeiçoamento das práticas de governança corporativa e conformidade à legislação. Segundo especialistas na área, o fato de o setor ser amplamente regulado e manter contato frequente com agentes públicos para obter licenças operacionais contribuiu para evidenciar casos de irregularidades.

O sócio da área de riscos da Delloite, Ronaldo Fragoso, avalia que, apesar do quadro conturbado pela Lava Jato, houve o efeito positivo de se criar perspectivas de melhora no ambiente empresarial brasileiro. “O compliance está entre as três principais preocupações dos conselhos de administração da maioria das grandes empresas atualmente”, frisou. “No pós Lava Jato, os empresários descobriram que governança e compliance são temas prioritários no dia a dia”, complementou, durante o Summit Imobiliário, organizado pelo Estado em parceria com empresas e associações do setor da construção civil.

Fragoso observou também que, nos últimos anos, vários agentes públicos estiveram envolvidos em casos de corrupção, o que serviu de combustível para que o próprio Congresso e o governo federal reagissem, sancionando novas leis para tentar mudar esse quadro – como é o caso da lei anticorrupção. “Isso criou para as empresas o desafio de se atualizar e se adequar à série de novas leis nos últimos anos”, observou.

O presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), José Carlos Martins, admitiu que existe uma visão negativa sobre o setor, situação que é fomentada por notícias relacionadas a casos pontuais. “Temos certeza absoluta de que a maioria das empresas no Brasil não tem esse comportamento, mas a visão geral não é essa”, afirmou, referindo-se aos efeitos da Lava Jato.

Para Martins, o momento conturbado evidencia o quanto é importante para as empresas investirem na conformidade com a legislação e em práticas mais éticas, tanto na relação com agentes públicos quanto com consumidores, trabalhadores e sindicatos, entre outros, pois essa é uma exigência da sociedade como um todo. “Não terá empresa no futuro com capacidade de competir no mercado sem um programa adequado de compliance”, apontou.

O presidente da construtora e incorporadora Tarjab, Carlos Alberto Borges, ressaltou a importância de uma mudança cultural dentro das empresas. “A governança corporativa depende da empresa. Nenhum funcionário vai pagar propina se o dono não quiser”, afirmou.

Diante dessa perspectiva, Borges citou que a Tarjab adotou várias medidas, como regras para adesão e saída de acionistas, clareza na política de remuneração dos gestores, prestação de contas com transparência e código de ética e conduta interna. “O programa de compliance é um processo complexo, mas que gera tranquilidade”, diz Borges.

O advogado e coordenador do curso de direito digital do Insper, Renato Opice Blum, ainda chamou a atenção para a velocidade da circulação de informações na era digital, visto que estas trazem efeitos relevantes para a reputação das empresas. Numa busca na internet com o nome das principais construtoras e incorporadoras do Brasil, o advogado apontou a existência de mais de 500 mil posts espalhados entre sites jornalísticos, blogs pessoais, áreas de comentário de sites, entre outros. Desse total, cerca de um quarto dos posts era negativo para as empresas. “Hoje, temos mais obrigações e mais responsabilidades. É preciso estar em conformidade”, sintetizou Blum.

Veja notícia: http://economia.estadao.com.br/noticias/geral,maior-rigor-com-etica-apos-lava-jato,70001729740

Por Circe Bonatelli, para o jornal “O Estado de São Paulo”